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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Timóteo, um líder digno de ser imitado




Timóteo foi um dos líderes mais destacado da igreja primitiva. Não que fosse forte em todas as áreas. Ele era jovem, tímido e doente, mas foi cooperador de Paulo e o continuador de sua obra. A esse jovem líder, o apóstolo Paulo escreveu duas de suas espístolas. Sua mãe era judia e seu pai grego (At 6.1). Timóteo tinha bom testemunho em sua cidade e também fora de seu domicilio (At 16.2). Timóteo foi educado à luz das Escrituras desde sua infância (2Tm 3. 14,15). Tanto sua avó Loide, como sua mãe Eunice eram mulheres comprometidas com Deus e com elas Timóteo aprendeu a ter fé sem fingimento desde a sua juventude (2 Tm 1.5).

Em Filipenses capítulo 2. 19 a 24, o apóstolo Paulo nos fala de algumas características desse importante líder espiritual.
Vejamos quais são essas marcas:

1. Timóteo, um líder que cuida dos interesses do povo. 
O líder é um sevo. Ele não visa seus próprios interesses, mas cuida dos interesses do povo de Deus. Timóteo não cuidava dos interesses do povo para alcançar com isso algum favor pessoal. Ele não usava as pessoas. Sua relação com as pessoas não era utilitarista. O apóstolo Paulo diz: “Porque a ninguém tenho de igual sentimento, que sinceramente cuide dos vossos interesses” (Fp 2.20). Jesus foi o maior de todos os líderes e ele disse que não veio para ser servido, mas para servir. Quando seus discípulos disputavam entre si quem era o maior dentre eles, Jesus tomou a bacia e a toalha e lavou os pés dos dicípulos. Liderança cristã é influência por meio do serviço abnegado.

2. Timóteo, um líder de caráter provado. 
Timóteo era um homem de Deus. Sua vida estava centrada em Cristo. Ele era comprometido com as Escrituras, fiel a Cristo Jesus e dedicado à igreja. Timóteo não buscava glória para si mesmo. Ele não construía monumentos ao seu próprio nome. Ele buscava na igreja os interesses de Cristo. Paulo denuncia o fato de existirem na igreja homens que buscavam interesses próprios, porém Timóteo, diferente desses, buscava os interesses de Cristo. Leiamos o registro do apóstolo: “…pois todos eles buscam o que é seu próprio, não o que é de Cristo Jesus” (Fp 2.21).

3. Timóteo, um líder de caráter provado. 
Timóteo tinha zelo pela sua vida e também da doutrina. Ele era um homem consistente na teologia e na conduta. Seu caráter era provado.O apóstolo escreve: “E conheceis o seu caráter provado…” (Fp 2.22). Timóteo era um homem irrepreensível, que tinha bom testemunho dentro e fora da igreja. A vida do líder é a vida da sua liderança. Liderança não é apenas performace, mas sobre tudo, integridade. John Maxwell definiu liderança como influência. Um líder influencia sempre: para o bem ou para o mal. A liderança jamais é neutra. Um líder é bênção ou maldição. Timóteo era uma bênção, pois sua vida referendava seu ensino.

4. Timóteo, um líder consagrado à causa do evangelho. 
Timóteo não era um líder subserviente a homens. Ele servia ao evangelho. Paulo escreve: “…pois serviu ao evangelho, junto comigo, como filho ao pai” (Fp 2.22). Ele era servo de Deus, dedicado ao serviço do evangelho. Quem serve a Deus não se submete aos caprichos dos homens. Quem serve a Deus não depende de elogios nem teme as criticas. Quem serve a Deus não anda atrás de holofotes. Servir a Deus é servir ao evangelho, é colocar a vida a serviço do reino de Deus na proclamação e ensino do evangelho.
Estamos nos preparando para uma importante eleição de oficiais em nossa igreja. Que olhemos para o testemunho de Timóteo e busquemos em Deus a direção para a escolha da nossa liderança espiritual.
Compilado Por Cleber Renato
Por: Rev. Hernandes Dias Lopes

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Exemplo de Design de Esboço para Sermão

Este é o Script de Esboço que criei  para o uso habitual na montagem de meus sermões.

Considero o Sermão uma Inspiração Profunda de Comunicação pelo Pelo Poder do Espírito Santo, como na montagem de uma Poesia faz necessário a Inspiração ou a Composição de um Lindo Hino e sua Melodia. Para a Montagem do Sermão Considero Alguns Princípios Básicos que gostaria de compartilhar:


  1. - Momento de Intimidade com o Espírito Santo que vem através da Oração
  2. - Sintonia e Unção que vem pela conectividade da Intimidade com Deus
  3. - Conhecimento Bíblico como Fonte Inesgotável de Comunicação de Deus
  4. - Fonte Extrabíblica para Elucidar a Mensagem (Ilustrações, Comparações etc)
  5. - Vivenciar a Mensagem no Coração


Bom Segue então o exemplo abaixo que poderá ser modificado para o uso na montagem dos sermões:

Parte A)

 Parte B)

Por: Cleber Renato
http://cleberrenato.olhaki.net/

A MORTE



Jó19.25,26 “Eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra. E depois de consumida a minha pele, ainda em minha carne verei a Deus.”




A MORTE


Todo ser humano, tanto crente quanto incrédulo, está sujeito à morte. A palavra “morte” tem, porém, mais de um sentido na Bíblia. É importante para o crente compreender os vários sentidos do termo morte.

A MORTE COMO RESULTADO DO PECADO. Gênesis 2—3 ensina que a morte penetrou no mundo por causa do pecado. Nossos primeiros pais foram criados capazes de viverem para sempre. Ao desobedecerem o mandamento de Deus, tornaram-se sujeitos à penalidade do pecado, que é a morte.
(1) Adão e Eva ficaram agora sujeitos à morte física. Deus colocara a árvore da vida no jardim do Éden para que, ao comer continuamente dela, o ser humano nunca morresse (ver Gn 2.9 nota). Mas, depois de Adão e Eva comerem do fruto da árvore do bem e do mal, Deus pronunciou estas palavras: “és pó e em pó te tornarás” (Gn 3.19). Eles não morreram fisicamente no dia em que comeram, mas ficaram sujeitos à lei da morte como resultado da maldição divina.
(2) Adão e Eva também morreram no sentido moral, Deus advertia Adão que se comesse do fruto proibido, ele certamente morreria (Gn 2.17). Adão e sua esposa não morreram fisicamente naquele dia, mas moralmente, sim, i.e., a sua natureza tornou-se pecaminosa. A partir de Adão e Eva, todos nasceram com uma natureza pecaminosa (Rm 8.5-8), i.e., uma tendência inata de seguir seu próprio caminho egoísta, alheio a Deus e ao próximo (ver Gn 3.6 nota; Rm 3.10-18 nota; Ef 2.3; Cl 2.13).
(3) Adão e Eva também morreram espiritualmente quando desobedeceram a Deus, pois isso destruiu o relacionamento íntimo que tinham antes com Deus (ver
Gn 3.6 nota). Já não anelavam caminhar e conversar com Deus no jardim; pelo contrário, esconderam-se da sua presença (Gn 3.8). A Bíblia também ensina que,
à parte de Cristo, todos estão alienados de Deus e da vida nEle (Ef 4.17,18); i.e., estão espiritualmente mortos.
(4) Finalmente, a morte, como resultado do pecado, importa em morte eterna. A vida eterna viria pela obediência de Adão e Eva (cf. Gn 3.22); ao invés disso, a lei da morte eterna entrou em operação. A morte eterna é a eterna condenação e separação de Deus como resultado da desobediência do homem para com Deus.
(5) A única maneira de o ser humano escapar da morte em todos os seus aspectos é através de Jesus Cristo, que “aboliu a morte e trouxe à luz a vida e a incorrupção” (2Tm 1.10). Ele, mediante a sua morte, reconciliou-nos com Deus, e, assim, desfez a separação e alienação espirituais resultantes do pecado (ver Gn 3.24 nota; 2Co 5.18 nota). Pela sua ressurreição Ele venceu e aboliu o poder de Satanás, do pecado e da morte física (ver Gn 3.15 nota; Rm 6.10 nota; cf. Rm 5.18,19; 1Co 15.12-28; 1Jo 3.8).

A MORTE FÍSICA DO CRENTE. Embora o crente em Cristo tenha a certeza da vida ressurreta, não deixará de experimentar a morte física. O crente, porém, encara a morte de modo diferente do incrédulo. Seguem-se algumas das verdades reveladas na Bíblia a respeito da morte do crente.
(1) A morte, para os salvos, não é o fim da vida, mas um novo começo. Neste caso, ela não é um terror (1Co 15.55-57), mas um meio de transição para uma vida mais plena. Para o salvo, morrer é ser liberto das aflições deste mundo (2Co 4.17) e do corpo terreno, para ser revestido da vida e glória celestiais (2Co 5.1-5). Paulo se refere à morte como sono (1Co 15.6,18,20; 1Ts 4.13-15), o que dá a entender que morrer é descansar do labor e das lutas terrenas (cf. Ap 14.13).
(2) A Bíblia refere-se à morte do crente em termos consoladores. Por exemplo, ela afirma que a morte do santo “Preciosa é à vista do SENHOR” (Sl 116.15).
É a entrada na paz (Is 57.1,2) e na glória (Sl 73.24); é ser levado pelos anjos “para o seio de Abraão” (Lc 16.22); é ir ao “Paraíso” (Lc 23.43); é ir à casa de nosso Pai, onde há “muitas moradas” (Jo 14.2); é uma partida bem-aventurada para estar “com Cristo” (Fp 1.23); é ir “habitar com o Senhor” (2Co 5.8); é um dormir em Cristo (1Co 15.18; cf. Jo 11.11; 1 Ts 4.13); “é ganho... ainda muito melhor” (Fp 1.21,23), é a ocasião de receber a “coroa da justiça” (ver 2Tm 4.8 nota).
(3) Quanto ao estado dos salvos, entre sua morte e a ressurreição do corpo, as Escrituras ensinam o seguinte: (a) No momento da morte, o crente é conduzido à presença de Cristo (2Co 5.8; Fp 1.23). (b) Permanece em plena consciência (Lc 16.19-31) e desfruta de alegria diante da bondade e amor de Deus (cf. Ef 2.7).
(c) O céu é como um lar, i.e., um maravilhoso lugar de repouso e segurança (Ap 6.11) e de convívio e comunhão com os santos (Jo 14.2 nota). (d) O viver no céu incluirá a adoração e o louvor a Deus (Sl 87; Ap 14.2,3; 15.3). (e) Os salvos nos céu, até o dia da ressurreição do corpo, não são espíritos incorpóreos e invisíveis, mas seres dotados de uma forma corpórea celestial temporária (Lc 9.30-32; 2Co 5.1-4). (f) No céu, os crentes conservam sua identidade individual (Mt 8.11; Lc 9.30-32). (g) Os crentes que passam para o céu continuam a almejar que os propósitos de Deus na terra se cumpram (Ap 6.9-11).
(4) Embora o salvo tenha grande esperança e alegria ao morrer, os demais crentes que ficam não deixam de lamentar a morte de um ente querido. Quando Jacó faleceu, por exemplo, José lamentou profundamente a perda de seu pai. O que se deu com José ante a morte de seu pai é semelhante ao que acontece a todos os crentes, quando falece um seu ente querido (ver Gn 50.1 nota).

http://cleberrenato.olhaki.net/
Compilado por Cleber Renato
Estudo Extraído da Bíblia de Estudo Pentecostal 

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

PROGRESSO MINISTERIAL




NECESSIDADE DE PROGRESSO MINISTERIAL

Caros soldados, companheiros meus! Somos poucos, e  temos violenta luta diante de nós. Portanto, é preciso fazer que cada homem renda o mais possível e seja estimulado até o ponto máximo das suas energias. É desejável que os ministros do Senhor sejam os elementos de vanguarda da igreja. Na verdade, do universo todo,  pois a época o requer. Portanto, quanto a vocês, em suas qualificações pessoais, dou-lhes este moto: "Sigam avante."  Avante nas conquistas pessoais,  avante nos dons e na graça,  avante na capacitação para a obra, e  avante no processo de amoldar-se à imagem de Jesus. Os pontos de que tratarei a seguir começam da base e seguem linha ascendente.

1. Primeiro, diletos irmãos, acho necessário dizer-me a mim e a vocês que devemos ir avante em nossas aquisições intelectuais. Não nos serve de nada apresentar-nos continuamente diante de Deus em nossa pior forma. Não somos capazes de apresentar-nos na melhor forma aos Seus olhos. Mas, custe o que custar, não permitamos que a oferta seja mutilada e manchada por nossa preguiça. "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração" é, talvez, mais fácil de aceitar do que amá-Lo de todo o entendimento. Contudo, precisamos dar-lhe a  nossa mente, bem como os nossos afetos, e essa mente deve estar bem  suprida, para que não Lhe ofereçamos um cofre vazio. O nosso ministério exige a mente.
Não insistirei sobre "o iluminismo da época." Todavia, é mais que certo que há um grande avanço entre todas as classes, e que haverá maior ainda. Já se foi o tempo em que os discursos destituídos de gramática eram satisfatórios para o pregador.
Mesmo num povoado rural onde, segundo a tradição, "ninguém sabe nada", não falta o mestre-escola, e a falta de instrução perde utilidade mais que nunca. Pois, enquanto o orador quer que os ouvintes lembrem o evangelho, lembrarão por outro lado as suas expressões
gramaticalmente péssimas, e as repetirão como temas para gracejos, quando queríamos que conversassem com solene fervor sobre as doutrinas divinas. Caros irmãos, precisamos cultivar-nos ao máximo. E devemos fazê-lo, primeiro, reunindo o máximo de conhecimentos, para encher o celeiro; depois adquirindo discernimento para joeirar tudo que foi amontoado; e finalmente, exercendo a capacidade mental de firme fixação na memória, pela qual podemos armazenar no celeiro o cereal selecionado. Pode ser que estes três pontos não tenham importância igual, mas são todos necessários ao homem completo.
Digo-lhes que devemos fazer grandes esforços para adquirir informação, principalmente de natureza bíblica. Não devemos limitar-nos a um tópico do estudo, do contrário, não exercitaremos nossa plenitude mental. Deus fez o mundo para o homem, e dotou o homem de
mente destinada a ocupar e usar o mundo todo. É o locatário, e a natureza é por um pouco de tempo a sua casa. Por que haveria de privar-se de qualquer dos seus quartos? Por que negar-se a saborear alguma das refeições tornadas puras que o grandioso Pai colocou sobre a mesa?
Contudo, a nossa principal atividade é estudar as Escrituras. A principal ocupação do ferrador é ferrar cavalos. Que trate de saber fazê-lo bem, pois, ainda que fosse capaz de cingir um anjo com um cinto de ouro, falharia como ferrador se não soubesse forjar e fixar ferraduras. Pouco
vale que vocês sejam capazes de escrever poesia como maior brilhantismo, como talvez o sejam, se não puderem pregar um bom sermão, persuasivo, que produza o efeito de fortalecer os santos e convencer os pecadores. Estudem a Bíblia, diletos irmãos, de capa a capa, com toda a ajuda que possam obter. Lembrem-se de que agora os recursos ao alcance dos cristãos comuns são muito mais amplos do que no tempo dos nossos país. Portanto, vocês têm que ser maiores especialistas em Bíblia, se pretendem manter-se diante dos seus ouvintes, Interponham todo o conhecimento, mas, acima de todas as coisas, meditem dia e noite na lei do Senhor.
Instruam-se bem em teologia. Não reparem na zombaria daqueles que a criticam porque nessa esfera são ignorantes.  Muitos pregadores não são teólogos. Daí os erros que cometem. Não fará mal algum ao mais galhardo evangelista se ele também for bom teólogo. Talvez seja este, com freqüência, o modo de livrá-lo de erros crassos.
Hoje em dia ouvimos homens que recortam uma frase da Escritura, isolando-a do seu contexto, e bradam:  "Eureka! Eureka!", como se tivessem achado uma nova verdade. No entanto, não descobriram um diamante, mas, sim, um caco de vidro. Se fossem capazes de comparar coisas espirituais com espirituais, se compreendessem a analogia da fé, e se estivessem familiarizados com o santo saber dos  grandes estudiosos da Bíblia que o passado conheceu, não se apressariam tanto em jactar-se do seu conhecimento maravilhoso. Tratemos de inteirar-nos completamente das grandes doutrinas da Palavra de Deus. Exponhamos com poder a Escritura. Estou certo de que nenhuma forma de pregação durará tanto, ou edificará tão bem uma igreja como  a pregação expositiva. Renunciar totalmente o discurso exortativo pelo expositivo seria precipitar-se a um extremo absurdo. Mas, não  serei capaz de exagerar ao afirmar-lhes categoricamente que, se os seus ministérios hão de ser duradouramente úteis, vocês terão que ser expositores. Para isso, deverão compreender pessoalmente a Palavra, e deverão ser capazes de comentá-la de modo que as pessoas sejam edificadas  por ela. Irmãos,
manejem com domínio as suas Bíblias. Sejam quais forem as obras não examinadas por vocês, sintam-se em casa com os escritos dos profetas e apóstolos. "A palavra de Cristo habite em vós ricamente."
Uma vez dada precedência aos escritos inspirados, não negligenciem nenhuma esfera do conhecimento. A presença de Jesus na terra santificou os domínios da natureza, e o que Ele purificou não chamem de impuro. Tudo que o Pai fez lhes pertence, e vocês devem aprender disso. Podem ler o diário de um naturalista, ou da viagem de alguém, e tirar proveito dessa leitura. Sim, e mesmo de um velho livro sobre ervas ou de um manual de alquimia poderão colher mel, como o fez Sansão da carcaça de um leão. Há pérolas em conchas de ostras, e frutas em galhos espinhentos. As veredas da verdadeira ciência, particularmente da historia natural e da botânica,  destilam gordura. A geologia, enquanto fato, e não ficção, está repleta de tesouros. A historia – esplêndidas são as visões que faz passar diante de vocês – é a eminentemente instrutiva. Na verdade, cada rincão dos domínios de Deus na natureza pulula de preciosos ensinamentos.  Sigam as trilhas do conhecimento, de acordo com o tempo, a oportunidade e os dotes particulares de que disponham. E não hesitem em fazê-lo por causa de alguma apreensão de que se instruirão a um nível demasiado alto.
Quando a graça for abundante, o saber não os inchará, nem prejudicará a sua simplicidade no evangelho. Sirvam a Deus com o  grau de educação que tenham, e dêem graças a Ele por soprar por meio de vocês, se são buzinas de chifres de carneiro. Mas, se há possibilidade de se tornarem trombetas de prata, prefiram isto.
Já disse que devemos aprender a  discernir, e agora é o momento oportuno para insistir neste ponto. Muitos correm atrás de novidades, encantados com toda e qualquer invenção. Aprendam a julgar a verdade e as suas imitações, assim, não serão desencaminhados. Outros há que se apegam como certos moluscos a velhos ensinos, sendo que talvez estes não passem de erros antigos. Submetam à prova todas as coisas e retenham o que é bom. Deve-se recomendar muito o emprego do ventilador e da peneira para joeirar. Diletos irmãos, quem pede ao Senhor que lhe dê vida límpida com a qual veja a verdade e distinga os seus frutos, e, graças ao constante exercício das suas faculdades, obteve capacidade para julgar acuradamente, está preparado para ser comandante de hostes do Senhor. Mas, nem todos são  assim. É doloroso observar quantos estão prontos para abraçar qualquer coisa, bastando que
lhes seja apresentada com ardor. Engolem remédios de todo e qualquer charlatão espiritual que tenha suficiente convicção mascarada para parecer sincero. Não sejam crianças assim no entendimento, mas submetam tudo à prova cuidadosamente, antes de aceitá-lo. Peçam ao
Espírito Santo que lhes dê o dom do discernimento, de modo que possam conduzir os seus rebanhos para longe das campinas venenosas e levá-los a pastagens seguras.
Quando, no devido tempo, tenham obtido a capacidade de adquirir conhecimento e a aptidão para discernir, busquem em seguida a capacidade para reter, e segurem com firmeza o que aprenderam. Nestes tempos certas pessoas se vangloriam de ser como cata-ventos.
Não conservam nada. Na verdade, nada possuem que valha  a pena reter. Creram ontem naquilo em que não crêem hoje, nem crerão amanhã. E seria um profeta maior do que Isaías quem conseguisse dizer o que eles crerão quando o recôncavo da lua nova se encher, pois estão mudando constantemente. Parecem ter nascido sob a influência da luz, partilhando dos hábitos de sua variação. Esses homens podem ser sinceros como se dizem, mas, de que valem? Como boas árvores transplantadas muitas vezes, podem ter natureza nobre, mas nada produzem. Sua vitalidade esvai-se no esforço por criar raízes e tornar a criá-las. Não têm seiva
suficiente para produzir frutos. Estejam certos de que têm a verdade e, depois, estejam certos de que a mantêm. Estejam prontos para uma nova verdade, desde que seja verdade. Relutem, porém, em subscrever a crença de que se encontrou uma luz melhor do que a do sol.
Os que apregoam pelas ruas novas verdades, como os jornaleiros fazem com uma segunda edição de um vespertino, geralmente não estão em condição melhor do que deveriam. A bela jovem da verdade não pinta as faces, nem enfeita a cabeça como Jezabel,  seguindo cada nova
moda filosófica. Contenta-se com sua beleza natural, e seu aspecto é essencialmente o mesmo ontem, hoje, e para sempre. Quando os homens mudam com freqüência, em geral precisam ser mudados no sentido mais enfático. A nossa boa gente de "pensamento moderno" está fazendo incalculável dano às almas, semelhante a Nero tocando rabeca no alto de uma torre com Roma a queimar-se aos seus pés. Almas estão sendo condenadas, e, contudo esses homens ficam traçando  teorias.
O inferno escancara a boca, e engole miríades, mas os que deviam estar espalhando as boas novas da salvação "andam atrás de novas 1inhas de pensamento." Cultíssimos assassinos espirituais, verão que a sua alardeada "cultura" não lhes servirá de escusa no dia do Juízo. Por Deus, tratemos de saber como os homens hão de salvar-se, e ponhamos mãos à obra. É detestável desperdício ficar sempre a discutir quanto ao modo certo de fazer pão enquanto uma nação perece de fome. Já é tempo de sabermos o que ensinar, ou então de renunciar ao nosso oficio. "Aprender sempre, e nunca chegar à verdade" é o lema dos piores homens, não dos melhores. Vi em Roma a estátua de um rapaz tirando um espinho do pé. Fui-me embora. Um ano depois voltei, e lá estava sentado o mesmíssimo rapaz, tirando ainda o corpo estranho. Será este o nosso modelo? "Amoldo o meu credo toda semana", confessou-me um desses teólogos. A que assemelharei esses inconstantes? Não são como aquelas aves que aparecem no Cabo de Ouro, no estreito de Bósforo, e se podem ver de Constantinopla, das quais se diz que estão sempre batendo as asas, nunca em repouso? Ninguém jamais as viu pousar na água ou na terra. Estão sempre pairando em pleno ar. Os nativos lhes chamam "almas perdidas", sempre a buscar descanso em vão.
Com toda a certeza, homens que não acham repouso pessoal na verdade, se não é que eles mesmos não se salvam, ao menos têm pouca probabilidade de salvar outros. Aquele que não tem  nenhuma verdade segura para transmitir, não deve admirar-se de que  os seus ouvintes
depositem pouca confiança nele. Temos que conhecer a verdade, compreendê-la, e retê-la com mão firme, ou não poderemos esperar levar outros a crer nela. Irmãos, eu os responsabilizo: procurem conhecer e discernir; depois, aplicado o discernimento, lutem  para arraigar-se e alicerçar-se na verdade. Mantenham em pleno funcionamento os processos de encher o celeiro, joeirar o cereal e armazená-lo. Assim, em sua vida mental, irão avante.

2. Precisamos ir avante nas  qualificações oratórias. Estou começando do fundo, mas mesmo este ponto é importante, pois é uma pena que até os pés desta imagem sejam de barro. Daquilo que possa ter alguma utilidade ao nosso propósito, nada é fútil.  Só pela perda de um
cravo, o cavalo perdeu a ferradura, e deixou de servir para a batalha. Aquela ferradura era apenas uma banal tira de ferroa ferir o solo. Entretanto, ainda que o lombo esteja cingido de raios e trovões, de nada vale se se perdeu a ferradura. Uma pessoa pode ficar irremediavelmente arruinada por inutilidade espiritual, não porque falhe no caráter ou no
espírito, mas porque fraqueja no intelecto ou na oratória.
Portanto, comecei com estes pontos, e torno a observar que devemos melhorar na alocução. Nem todos podem falar como alguns, e nem mesmo estes podem atingir a sua eloqüência ideal. Se há algum irmão aqui que pensa que pode pregar tão bem como deve, advirto-o a
desistir de uma vez. Fazendo-o estará agindo tão sabiamente como o grande pintor que quebrou a sua paleta e, virando-se para a esposa, disse:
"Meus dias de pintar passaram, pois já me satisfiz  e, portanto, ser que o meu poder se foi." Ainda que existam outras perfeições atingíveis, tenho a certeza de que aquele que acha que conseguiu perfeição na oratória, confunde eloqüência com volubilidade, e argumento com verbosidade. Seja qual for o seu conhecimento, Não poderão ser ministros verdadeiramente eficientes, se não forem "aptos para ensinar."
Vocês sabem de ministros que erraram a vocação e, evidentemente, não têm dons para exercê-la. Certifiquem-se de que ninguém pense a mesma coisa de vocês. Há colegas de ministério que pregam de modo intolerável: ou nos provocam raiva, ou nos dão sono. Nenhum anestésico pode igualar-se a alguns discursos nas propriedades soníferas. Nenhum ser humano que não seja dotado de infinita paciência poderia suportar ouvi-los, e bem faz a natureza em libertá-lo por meio do sono.
Outro dia ouvi alguém dizer que certo pregador não tinha mais dons que uma ostra, para o ministério. Em minha opinião, foi um ultraje á ostra, pois esse nobre bivalve demonstra grande descrição em seus intróitos, e sabe quando deve concluir. Se alguns fossem condenados a ouvir os seus próprios sermões, teriam merecido julgamento, e logo clamariam com Caim: "É tamanho o meu castigo, que já não posso suportá-lo." Oxalá não caíamos sob a mesma condenação.
Irmãos, devemos cultivar clareza de estilo. Quando um homem não me faz entender o que quer dizer, é porque nem ele mesmo sabe o que quer dizer. O ouvinte mediano, incapaz de seguir o curso do pensamento do pregador, não devia ficar aborrecido consigo, mas censurar o pregador, cuja obrigação é apresentar o assunto com clareza. Se olharmos dentro de um poço, se estiver vazio nos parecerá muito fundo, mas se houver água nele, veremos a claridade refletida. Creio que muitos pregadores "profundos" são assim apenas porque são como poços secos, sem nada dentro, exceto folhas podres, algumas pedras, e talvez um ou dois gatos mortos. Se houver águas vivas em sua pregação, esta pode ser muito profunda, mas a luz da verdade lhe dará clareza. Não basta falar de modo tão claro que vocês sejam compreendidos; devem falar de modo que não sejam mal compreendidos.
Além da clareza, devemos cultivar um estilo convincente. Nosso discurso deve ser poderoso. Alguns imaginam que isto consiste em falar alto, mas posso garantir-lhes que laboram em erro.  Rugir não melhora um tolice. Deus não nos pede que gritemos como se estivéssemos falando a dez mil pessoas, quando nos dirigimos a trezentas somente.
Sejamos convincentes em razão da excelência do assunto e da energia de espírito que aplicamos à apresentação dele. Numa palavra, vejamos que o nosso falar seja natural e vívido. Espero que já tenhamos anatematizado os truques dos oradores profissionais– os efeitos forçados, o clímax calculado, a pausa planejada, o  pavonear teatral, a declamação artificiosa das palavras, e não sei que mais – que podem ver em certos clérigos pomposos que ainda sobrevivem na face da terra.
Oxalá dentro em pouco sejam eles espécies extintas. Oxalá todos nos aprendamos um modo simples, natural e vivo de falar do evangelho, porque estou persuadido de que esse estilo é o que tende a ser abençoado por Deus.
Entre muitas outras coisas, precisamos cultivar a persuasão. Alguns irmãos exercem grande influência sobre as pessoas,  ao passo que outros, dotados de maiores dons, são nulos nisso. Estes parecem que não tomam contato com as pessoas, não as cativam e não tocam  sua sensibilidade.
Há pregadores que, em seus sermões, parecem pegar um por um dos ouvintes pela gola, e enfiar direto em suas almas a verdade. Outros generalizam tanto, e além disso são tão frios, que fazem pensar que estão falando de habitantes de algum planeta remoto, cujos assuntos não lhes interessam muito. Aprendam a arte de pleitear com os homens. Farão bem isso se olharem com freqüência para o Senhor. Se bem me lembro, o velho conto clássico diz-nos que, quando um soldado estava para matar Dario, o filho deste, que era mudo desde a infância, de repente gritou surpreso: "Você não sabe que ele é o reí?" Sua língua silenciosa foi solta pelo amor a seu pai. Bem pode acontecer que a nossa língua encontre fala vigorosa quando virmos o Senhor crucificado por causa do pecado.
Se houver alguma fala em nos, isto a levantará. Também o conhecimento dos terrores do Senhor nos há de ativar para persuadirmos os homens. Não podemos fazer outra coisa que insistir com eles para que se reconciliem com Deus. Irmãos, observem aqueles que amorosamente conquistam pecadores para Jesus. Descubram o seu segredo, e não descansem enquanto não obtiverem o mesmo poder. Se vocês os acham muito simples e toscos, mas vêem que eles são realmente úteis, diga cada uma si próprio: "É esse o meu modelo." Se, por outro lado, ouvem um pregador muito admirado, e, ao pesquisarem, vêem que almas não se  convertem salvadoramente, cada qual diga a si mesmo: "Isto não é para mim, pois não estou procurando ser grande, e, sim útil de fato." Portanto, vejam que a sua oratória melhore constantemente em clareza, em poder de convicção, em naturalidade e em persuasão.
Diletos irmãos, tentem conseguir um estilo de alocução tal que os leve a  adaptar-se aos seus ouvintes. Muita coisa depende disso. O pregador que se dirigisse a ouvintes com bom grau de instrução em linguagem que usaria ao falar a um grupo de feirantes se mostraria louco. Por outro lado, aquele que se põe entre mineiros e  carvoeiros empregando expressões técnicas da teologia e frases próprias das salas de recepção, age como idiota. A confusão de língua sem Babel foi mais completa do que imaginamos. Não deu línguas diferentes a grandes nações apenas, mas fez com que a fala de cada classe diferisse das outras. Um sujeito de um mercado de peixes como Billingsgate não pode entender um figurão de Brasenose College, Oxford.
Agora, como o feirante não pode aprender o linguajar universitário, que o universitário trate de aprender o linguajar do feirante. "Empregamos a linguagem do mercado", dizia Whitefield, e isto o honrava muito. Todavia, quando se levantava no salão da condessa de Huntingdon, e a sua palavra encantava os nobres descrentes que ela trazia para ouvi-lo, adotava outro estilo. Sua linguagem era igualmente clara em cada caso, porque era igualmente familiar  aos ouvintes. Não usava  ipsissima verba, caso em que a sua linguagem perderia a clareza num ou outro caso e, ou seria baixo calão para a nobreza, ou grego para o povo comum. Em nossa maneira de falar devemos procurar ser "tudo para todos." O maior mestre da oratória é aquele que é capaz de dirigir-se a qualquer classe de pessoas de maneira adequada à condição delas, e de molde a tocar-lhes o coração.
Irmãos, não deixemos que ninguém seja melhor do que nós na capacidade de falar; Não deixemos que ninguém nos sobrepuje no domínio da nossa língua materna. Amados companheiros de armas, nossas línguas são as espadas que Deus nos deu para que as usemos por Ele, tal como se disse de nosso Senhor: "Da sua boca saía uma aguda espada de dois fios." Afiem bem essas espadas. Cultivem a sua capacidade de falar, e estejam entre os maiores do  território na transmissão oral. Não os exorto por achar que sejam notadamente deficientes. Longe disso, pois toda gente me diz: "Conhecemos os seus alunos pelo falar claro e destemido deles." Isto me leva a crer que vocês têm em si grandes porções do dom, e lhes rogo que dêem duro para aperfeiçoá-lo.

3. Irmãos, temos que ser mais zelosos ainda em ir avante nas qualidades morais. Oxalá os pontos que vou mencionar se prestem aos que deles necessitam, mas eu lhes asseguro que não tenho nenhum de vocês particularmente em mira. Desejamos subir ao mais elevado gênero de ministério e, sendo assim, ainda que obtenhamos qualificações intelectuais e oratórias, falharemos se não possuirmos também altas qualidades morais.
Há males que devemos sacudir de nós como Paulo sacudiu da mão a víbora, e há virtudes que devemos obter a qualquer custo. A auto-indulgência já matou os seus milhares. Tremamos ante o perigo de perecer às mãos dessa Dalila. Tratemos de manter todas as paixões e hábito sob a devida sujeição. Se não formos senhores de nós mesmos, não estaremos aptos a ser dirigentes na igreja.
Temos que por fora toda idéia de importância pessoal nossa. Deus não abençoará o homem que se considera grande. Gloriar-se mesmo na obra de Deus o Espírito em você é pisar perigosamente perto da adulação própria. "Louve-te o estranho, e não a tua boca" –  e fiquem contentes quando esse estranho tiver bastante bom sonso para segurar a língua.
Também precisamos dominar o nosso temperamento. O temperamento forte não é totalmente um mal. Homens  chochos como sapatos velhos geralmente são de pouco valor. Eu não lhes diria: "Caros irmãos, tenham gênio forte", mas lhes digo: "Se o têm, tratem de dominá-lo cuidadosamente." Dou graças a Deus quando vejo um ministro com temperamento suficientemente forte para indignar-se com o erro, e para manter-se firme por aquilo que é reto. Contudo, o temperamento forte é uma ferramenta cortante, e muitas vezes fere aquele que o manuseia. "Gentil, sensível aos rogos"– preferindo sofrer o mal antes de infligi-lo, este deve ser o nosso espírito. Se algum irmão aqui ferve depressa demais, saiba que ao fazê-lo não escalda a ninguém senão ao diabo, e então é melhor que se evapore.
Precisamos – especialmente alguns de nós – vencer nossa tendência para a leviandade. Existe grande distinção entre a  santa jovialidade, que é uma virtude, e aquela leviandade geral, que é um  defeito moral. Há uma leviandade que não tem suficiente ânimo para rir, mas que zomba de tudo; é irreverente, fútil e falsa. A risada sincera não constitui leviandade, mais que o choro sincero. Falo daquela  capa religiosa que é pretensiosa, mas rala, superficial e insincera quanto às questões de peso.
Piedade não é brincadeira. Nem mera formalidade. Cuidem-se para não serem atores. Nunca dêem a pessoas sérias a impressão de que vocês não crêem no que dizem, e que não passam de profissionais. Ter fogo nos lábios e gelo na alma é nota de reprovação. Deus nos livre de sermos superfinos e superficiais. Oxalá jamais sejamos as  borboletas do jardim de Deus.
Ao mesmo tempos, devemos evitar tudo que lembre a ferocidade da intolerância. Conheço uma classe de pessoas religiosas que, não tenho dúvida, nasceram de mulher, mas parecem ter sido amamentadas por uma loba. Não lhes faço ofensa; não foram criados assim Rômulo e
Remo, fundadores de Roma? Alguns homens belicosos dessa ordem tiveram bastante poder intelectual para fundar dinastias do pensamento.
Mas a bondade humanitária e o amor fraternal associam-se melhor ao reino de Cristo. Não devemos sair pelo mundo à capa de heresias, como cães  terrier farejando ratos. Tampouco haveremos de confiar tanto em nossa infalibilidade, a ponto de levantarmos pelourinhos eclesiásticos para neles queimar todos os que diferem de nós, Não, é certo, com feixes de lenha, mas com aquele carvão de zimbro, que consiste de forte preconceito e desconfiança cruel. Em acréscimo a isso tudo, há maneirismos, caprichose comportamentos que não posso descrever agora, contra os quais devemos lutar. Sim, porque pequeninas falhas muitas vezes podem ser a causa do fracasso, e libertar-nos delas pode ser o segredo do sucesso.
Não menoscabem aquilo que mesmo em diminuto grau estorva a sua ação proveitosa. Expulsem do templo da sua alma as bancas dos vendedores de pombas, bem como dos comerciantes de ovelhas e vacas.
Além disso, diletos irmãos, precisamos adquirir certos hábitos e faculdades morais, bem como lançar fora os seus opostos. Aquele que não tem integridade de espírito jamais fará muito pela causa de Deus. Se nos orientarmos pela política, se adotarmos qualquer modo de agir que
não seja reto, em pouco tempo naufragaremos. Caros  irmãos, estejam dispostos a ser pobres, a ser desprezados, a perdera vida – não, porém, a agir desonestamente. Que para vocês a única política seja a honestidade.
Oxalá possuam também a grande característica moral  da coragem. Por esta não queremos dizer impertinência, atrevimento ou presunção, mas a verdadeira coragem de fazer e dizer calmamente a coisa certa, e ir em frente em todas as circunstâncias, ainda que não haja ninguém para dizer-lhe uma boa palavra. Espanta-me o número de cristãos que têm medo de falar a verdade aos seus irmãos na fé. Graças a Deus, posso dizer que não há um membro da minha igreja, nenhum oficial da igreja, e nenhum homem do mundo a quem eu tema dizer na frente o que diria em sua ausência. Abaixo de Deus, devo minha posição em minha igreja à ausência de toda política, e ao hábito de dizer o que penso. A idéia de tornar as coisas agradáveis a todos é perigosa e iníqua. Se você diz uma coisa a um homem, e outra a outro,  um dia eles compararão as notas, e você será posto a descoberto e será desprezado. O homem de duas caras mais cedo ou mais tarde será objeto de desdém, e com razão. Acima de tudo, evitem a covardia, pois esta torna mentirosos os homens. Se tiverem que dizer algo acerca de uma  pessoa, seja esta a medida do que digam – "Quanto ousarei dizer na presença dela?" Não se devem permitir sequer uma palavra mais de censura a qualquer ser vivente. Se a sua regra for esta, a sua coragem os  livrará de mil dificuldades, e lhes granjeará respeito duradouro.
Tendo integridade e coragem, diletos irmãos, oxalá  sejam dotados de zelo indômito.
Zelo? Que é isso? Como o descreverei? Tratem de possuí-lo, e saberão o que é. Deixem-se consumir de amor a Cristo, e vejam que a chama continue a arder ininterruptamente não ardendo em chamas vivas nas reuniões públicas, e morrendo no trabalho rotineiro de cada dia.
Necessitamos perseverança indomável, resolução infatigável, e uma combinação de piedosa obstinação, abnegação, amabilidade santa e coragem invencível.
Aprimorem-se também numa capacidade que é ao mesmo  tempo moral e intelectual, a saber, a capacidade de concentrar todas as suas forças na obra a que foram chamados. Colijam os seus pensamentos, reúnam todas as suas faculdades, juntem as suas energias, focalizem as suas capacidades. Despejem todos os mananciais da sua alma num só canal, fazendo-o jorrar para diante numa só corrente indivisa. A alguns falta essa qualidade. São dispersivos, e fracassam. Juntem os seus batalhões e lancem-nos sobre o inimigo. Não tentem  ser grandes nisto e naquilo – ser "tudo em turnos, e nada duradouramente", mas consintam que toda a sua natureza seja levada cativa por Jesus Cristo, e deponham tudo aos pés dAquele que derramou o Seu sangue e morreu por vocês.

4. Acima disso tudo, precisamos de qualificações espirituais, graças que hão de ser desenvolvidas em nós pelo Senhor. Estou certo de que esta é a principal questão. Outras coisas são preciosas, mas esta não tem preço. Devemos ser ricos para com Deus.
É necessário que nos conheçamos a nós mesmos. O pregador deve ser grande na ciência do coração, na filosofia da experiência interior.
Existem duas escolas de experiência, e nenhuma tem prazer em aprender da outra. Tenhamos satisfação em aprender de ambas. Uma fala de filho de Deus como alguém que conhece a profunda depravação do seu coração, que compreende a asquerosidade da sua natureza, e diariamente sente que em sua carne não habita bem algum. "O homem que não sabe e não sente isso", dizem os dessa escola, "e que o sente mediante amargasse penosos experiências do dia a dia, não tem em si, a vida de Deus." É inútil falar-lhes da liberdade e da alegria no Espírito Santo. Não as têm.
Aprendamos desses irmãos unilaterais. Sabem muito daquilo que se deve saber. Ai do ministro que ignora o seu conjunto de  verdades. Martinho Lutero costumava dizer que a tentação é o melhor mestre do ministro. Há verdade nesse lado da questão. Outra escola de crentes detém-se demoradamente na gloriosa obra do Espírito de Deus. Tais irmãos fazem bem. E bem-aventurados são por isso. Crêem no Espírito de Deus como um poder purificador, que varre
os estábulos imundos da alma e faz dela um templo para Deus. Mas freqüentemente falam como se não pecassem mais, ou  se não fossem mais importunados por tentações. Gloriam-se como se já tivessem terminado a batalha e obtido a vitória. Aprendamos  desses irmãos.
Tratemos de conhecer toda a verdade que nos possam  ensinar. Familiarizemo-nos com os picos culminantes e com a gloria que neles fulge, com os montes Hermom e Tabor onde podemos transfigurar-nos com nosso Senhor. Não temam ficar demasiado santos. Não temam
encher-se demais do Espírito Santo. Gostaria que vocês fossem sábios dos dois lados, e capazes de lidar com as pessoas, tanto em seus conflitos como em suas alegrias, familiarizados com ambos os tipos de experiência. Saibam onde Adão os deixou; saibam onde o Espírito de Deus os colocou.  Não se limitem a saber um desses aspectos tão exclusivamente que esqueçam o outro.
Creio que se há homens tendentes a clamar: "Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?" serão sempre os ministros, porque temos que ser tentados em todos os pontos, para podermos consolar outros.
Num vagão de trem eu vi, na semana passada, um pobre homem com a perna estendida sobre o assento. Um funcionário, vendo-o nessa posição, observou-lhe: "Estes estofados não foram feitos para você pôr neles as suas botas sujas." Logo que o guarda se foi, o homem tornou a estender a perna, e me disse: "Estou certo de que ele nunca fraturou a perna em dois lugares, ou não seria tão duro comigo." Quando ouço irmãos que vivem comodamente, com boa renda, condenarem outros muito provados, por não se alegrarem estes como aqueles, percebo que nada sabem dos ossos quebrados que outros têm que arrastar durante toda a sua peregrinação.
Irmãos, conheçam o homem em Cristo e fora de Cristo. Estudem-no em seu melhor e em seu pior estado. Conheçam a sua  anatomia, os seus segredos e as suas paixões. Não podem fazer isso por meio de livros. Precisam ter experiência espiritual pessoal. Somente Deus lhes pode dar isso.
Dentre todas as aquisições espirituais, é necessário além de todas as outras coisas, conhecer Aquele que é o remédio certo para todas as doenças. Conheçam Jesus. Sentem-se a Seus pés. Considerem Sua natureza, Sua obra, Seus sofrimentos, Sua gloria. Regozijem-se em Sua presença – tenham comunhão com Ele, dia após dia. Conhecer a Cristo é compreender a ciência mais excelente. Vocês não podem deixar de ser sábios, se tiverem comunhão com a sabedoria. Não lhes poderá faltar força, se tiverem comunhão com o poderoso Filho de Deus.
Outro dia vi numa gruta italiana urna minúscula samambaia crescendo num local onde as suas folhas cintilavam  e dançavam continuamente sob os borrifos de uma fonte. Estava  sempre verde. Nem a sequidão do estio, nem o frio do inverno a afetavam. Assim, vivamos sempre sob a doce influência do amor de Jesus. Permaneçam em Deus, irmãos. Não O visitem ocasionalmente, mas habitem nEle. Na Itália se diz que onde não entra o sol, entra o médico. Onde  não brilha Jesus, a alma está doente. Aqueçam-se aos raios de Sua luz,  e vocês serão
vigorosos no serviço do Senhor.
Domingo passado, à noite, usei um texto que me empolgou:
"Ninguém conhece o Filho, senão o Pai." Disse eu aos ouvintes que os pobres pecadores que tinham vindo a Jesus e confiaram nEle pensavam que O conheciam, mas conheciam apenas um pouco dEle. Santos com sessenta anos de experiência, que andavam todo dia com Ele, acham que O conhecem. Contudo, são apenas principiantes ainda. Os espíritos perfeitos perante o trono, que durante milênios O adoram perpetuamente, talvez pensem que O conhecem, mas não O conhecem plenamente.
"Ninguém conhece o Filho, senão o Pai." Cristo é tão glorioso que somente o Deus infinito tem pleno conhecimento dEle. Portanto, não haverá limite para o nosso estudo, nem estreiteza em nossa linha de pensamento, se fizermos de nosso Senhor o grande objeto de todas as nossas meditações. Irmãos, como resultado disso, se é que havemos de ser homens fortes, temos que amoldar-nos a nosso Senhor. Oh, ser como Ele! Bendita a cruz em que sofrermos, se sofrermos para  tornar-nos semelhantes ao Senhor Jesus. Se nos amoldarmos a Cristo, teremos prodigiosa unção sobre o nosso ministério, e sem isso, de que vale um ministério?
Numa palavra, precisamos esforçar-nos pela santidade de caráter. Santidade, que é? Não é integridade de caráter? Uma condição equilibrada em que não há falta nem excesso? Não é  moralidade. Esta é uma estátua fria e sem vida. Santidade é vida. Vocês têm que ter santidade. E, amados irmãos, se falharem nas qualificações intelectuais (como espero que não), e se tiverem escassa medida  de poder oratório (como creio que não), todavia, confiem nisto: uma vida santa é, em si mesma, um poder maravilhoso, e suprirá muitas deficiências. É, de fato, o melhor sermão que o melhor homem pode pregar. Tomemos a resolução de que toda a pureza que se possa ter, teremos, que toda a santidade que se possa alcançar, obteremos, e que toda a semelhança com Cristo que seja possível neste mundo de pecado, por certo haverá em nós, mediante a obra do Espírito de Deus. O Senhor nos eleve a todos, como colégio, a uma tribuna mais alta, e Ele terá a gloria!

5. Caros irmãos, ainda não terminei. Tenho que dizer-lhes: vão avante no trabalho prático, pois, no fim das contas, seremos conhecidos pelo que tivermos feito. Devemos ser tão poderosos  em atos como na palavra.
Há bons irmãos no mundo que não são nada práticos.  A grandiosa doutrina da segunda vinda os faz ficar de boca aberta, com os olhos nos céus, de modo que me disponho a dizer: "Varões de Plymouth, por que estais olhando para o céu?" O fato de que Jesus está para vir não é razão
para contemplação das estrelas, mas, sim, para trabalhar no poder do Espírito Santo. Não se deixem levar tanto por especulações, que cheguem a preferir ler uma obscura passagem do Apocalipse a ensinar numa escola de maltrapilhos, ou discursar aos pobres sobre Jesus. É preciso que acabemos com os sonhos à luz do dia, e que nos lancemos ao trabalho. Acredito em ovos, mas temos que fazer com que saiam frangos deles. Não importa o tamanho do ovo. Pode ser ovo de avestruz, se quiserem, mas, se não houver nada nele, fora com a  casca! Se sair alguma coisa dele, Deus abençoe as suas especulações, e mesmo que vocês vão um pouco além do que julgo sábio aventurar-se, ainda assim, se isso os tornar mais úteis, louvado seja Deus!
Queremos fatos – ações realizadas, almas salvas. Está bem que se escrevam ensaios. Mas, quais almas vocês impediram  de ir para o inferno? A maneira excelente como dirigem a sua escola interessa-me.
Mas, quantas crianças foram trazidas para a igreja por meio dela? Alegra-nos ouvir daquelas reuniões especiais. Mas, quantos realmente nasceram de novo nelas? Os santos são edificados? Convertem-se pecadores? Balançar para lá e para cá num portão de cinco travas não é progresso, conquanto alguns parecem pensar que sim. Vejo-os num perpétuo Elísio, sussurrando para si mesmos e para os amigos: "Estamos muito bem acomodados." Deus nos livre de viver confortavelmente, enquanto os pecadores afundam no inferno.
Viajando pelas estradas das montanhas da Suíça, vêem-se continuamente marcas de perfuratrizes; e na vida de todo ministro devem existir trapos de duro labor. Irmãos, façam alguma  coisa; façam alguma coisa; façam alguma coisa. Enquanto as comissões desperdiçam tempo em deliberações, façam alguma coisa. Enquanto as sociedades e uniões elaboram estatutos, ganhemos almas. Muitas vezes discutimos, discutimos, e discutimos, e Satanás ri-se à socapa. É tempo de parar de planejar e de procurar o que planejar. Rogo-lhes, sejam homens de ação, todos vocês. Mãos à obra, e tratem de sair-se como  homens. A idéia de guerra do velho Suvarov é também a minha: "Avançar e lutar! Nada de teorias! Ao ataque! Formar fileiras! Baionetas á carga! Afundem no centro do inimigo!" Nosso único objetivo é salvar almas, e isto não é coisa para comentar, mas para fazer no poder de Deus.
6. Finalmente, e aqui vou entregar-lhes uma mensagem que pesa sobre mim – prossigam avante na questão da  escolha da sua esfera de ação. Rogo hoje por aqueles que não podem rogar por si, a saber, as grandes multidões do mundo pagão, em outras terras.
Os nossos púlpitos atuais estão toleravelmente bem supridos, mas temos necessidade de homens que edifiquem sobre novos alicerces. Quem o fará? Estamos nos, como uma companhia de homens fiéis, com a consciência esclarecida acerca dos pagãos? Milhões há que nunca ouviram o nome de Jesus. Centenas de milhões viram um missionário só uma vez em suas vidas, e nada sabem do nosso Reí. Deixaremos que pereçam? Podemos ir para a cama e dormir enquanto a China, a Índia, o Japão e outros países estão sob condenação? Estamos limpos do sangue deles? Não têm eles direito sobre nós? Devemos colocar a coisa neste pé:
"Posso provar que não devo ir?" e Não: "Posso provar que devo ir?" Quando alguém pode provar honestamente que não deve ir, está absolvido; de outra forma, não.
Meus irmãos, que resposta darão? Apresento-lhes a questão pessoa por pessoa. Não lhes levanto uma questão que eu não tenha apresentado honestamente a mim mesmo. Tenho pensado que, se alguns dos nossos principais ministros fossem, causaria grande efeito, dando incentivo ás igrejas, e me perguntei sinceramente se eu devia ir. Depois de pesar todos os pontos, senti-me levado a manter o meu lugar. Creio que o julgamento da maioria dos cristãos seria o mesmo. Mas creio que iria alegremente se esse fosse o meu dever. Irmãos, procurem situar-se pelo mesmo processo. Temos que levar os pagãos a converter-se. Deus tem miríades de eleitos Seus entre eles. Compete-nos ire procurá-los, até encontrá-los. Muitas dificuldades foram removidas,  as terras estão todas abertas para nós, e as distâncias foram anuladas. É certo que não temos o dom pentecostal de línguas, mas rapidamente se aprendem línguas, enquanto que a arte de imprimir equivale bem ao dom perdido. Os perigos próprios das missões não deveriam segurar nenhum homem de verdade, ainda que fossem muito grandes, mas estão  agora reduzidos ao mínimo. Há centenas de lugares em que a cruz de Cristo é desconhecida, lugares aos quais podemos ir sem risco. Quem irá? Devem ir os irmãos jovens, bem dotados, e que não tomaram ainda responsabilidades de família.
Todo estudante, ao matricular-se nesta escola, deve considerar esta matéria, e entregar-se à obra, a menos que haja razões concludentes para não fazer isso. É um fato que, mesmo para as colônias, é bem difícil encontrar homens, pois tive oportunidades na Austrália que fui obrigado a declinar. Não devia ser assim. Decerto existe ainda algum sacrifício próprio entre nós, e alguns de nós estão dispostos a exilar-se por Jesus. A missão desfalece por falta de homens. Se aparecessem os homens, a liberalidade da igreja supriria as necessidades deles. De fato a liberalidade da igreja já fez a provisão dos recursos, mas, apesar disso, não há homens para ir. Irmãos, jamais acharei que nós, como um grupo de homens, cumprimos o nosso dever enquanto não virmos companheiros nossos lutando por Jesus em todas as terras, situados na
vanguarda do conflito. Creio que, se Deus os impulsionar a irem, estarão entre os melhores missionários, porque farão da pregação do evangelho o traço dominante do seu trabalho, e é esse o caminho certo de Deus para o poder.
Gostaria que as nossas igrejas imitassem a do pastor Harms, da Alemanha, na qual cada membro era consagrado a Deus, de fato e de verdade. Os fazendeiros davam os produtos de suas terras, os operários seu trabalho. Alguém deu uma casa grande para o funcionamento de uma escola da missão. O pastor Harms obteve dinheiro para um navio, que ele equipou, para viagens à África. Daí, enviou missionários, e pequenos grupos de sua igreja com eles, para formar comunidades cristãs entre os boximanes. Quando é que as nossas igrejas vão ser assim abnegadas e dinâmicas? Vejam os morávios! Como cada homem e mulher se torna um missionário, e quanto fazem em conseqüência! Captemos o espírito deles. É certo esse espírito? Então é certo possuí-lo.
Não nos basta dizer: "Esses morávios são gente extraordinária!" Devemos ser extraordinários também. Cristo não resgatou os morávios mais do que a nós. Eles não têm maior obrigação de fazer sacrifícios do que nós. Então, por que esta negligência? Quando lemos sobre homens
heróicos, que entregaram tudo por Jesus, não devemos admirá-los simplesmente, mas imitá-los.
Quem os imitará agora? Decidamos de uma vez! Não há alguns de vocês desejosos de consagrar-se ao Senhor? "Avante" é a palavra-senha hoje! Não há espíritos valentes que tomem a vanguarda? Orem todos para que, durante este Pentecoste, o Espírito diga: "Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra."
Avante! Em nome de Deus, AVANTE!!

Compilado por: Cleber Renato
Artigo Extraído do Livro: Lições aos Meus Alunos de C. H. SPURGEON

domingo, 25 de novembro de 2012

Três perguntas sobre os fins dos tempos



“Tendo Jesus saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos para lhe mostrar as construções do templo. Ele, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada. No monte das Oliveiras, achava-se Jesus assentado, quando se aproximaram dele os discípulos, em particular, e lhe pediram: Dize-nos quando sucederão estais coisas e que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século. E ele lhes respondeu: Vede que ninguém vos engane. Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos. E, certamente, ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; vede, não vos assusteis, porque é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra nação, reino contra reino, e haverá fomes e terremotos em vários lugares; porém tudo isto é o princípio das dores. Então, sereis atribulados, e vos matarão. Sereis odiados de todas as nações, por causa do meu nome. Nesse tempo, muitos hão de se escandalizar, trair e odiar uns aos outros; levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos. Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo. E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então virá o fim. Quando, pois, virdes o abominável da desolação de que falou o profeta Daniel, no lugar santo (quem lê entenda), então, os que estiverem na Judéia fujam para os montes; quem estiver sobre o eirado não desça a tirar de casa alguma coisa; e quem estiver no campo não volte atrás para buscar a sua capa. Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! Orai para que a vossa fuga não se dê no inverno, nem no sábado; porque nesse tempo haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais. Não tivessem aqueles dias sido abreviados, ninguém seria salvo; mas, por causa dos escolhidos, tais dias serão abreviados. Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! Não acrediteis; porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grande sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos. Vede que vo-lo tenho predito. Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto!, não saiais. Ou: Ei-lo no interior da casa!, não acrediteis. Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra no ocidente, assim há de ser a vinda do Filho do Homem. Onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão os abutres” (Mt 24.1-28).
Sobre os acontecimentos dos tempos finais, é recomendável ler também os versículos restantes de Mateus 24 e todo o capítulo 25. A respeito, vamos perguntar-nos:

1. A quem Jesus dirigiu, em primeiro lugar, as palavras de Mateus 24 e 25?
A resposta é: basicamente aos judeus – e não à Igreja
• Nessa ocasião a Igreja ainda era um mistério. Somente no Pentecoste ela foi incluída no agir de Deus e, posteriormente, revelada através de Paulo.
• Portanto, o texto também não está falando do arrebatamento, quando Jesus virá para buscar Sua Igreja, mas trata da volta de Jesus em grande poder e glória para Seu povo Israel, após a Grande Tribulação (Mt 24.29-31). Jesus só falou do arrebatamento mais tarde, pouco antes do Getsêmani, como está registrado em João 14. Até então os discípulos, como judeus, só sabiam da era gloriosa do Messias que viria para Israel (por exemplo, Lucas 17.22-37).
• Os discípulos a quem Jesus Se dirigiu em Mateus 24 e 25 evidentemente eram judeus. Em minha opinião, eles simbolizam o remanescente judeu fiel, que crerá no Messias no tempo da Grande Tribulação.
• No sermão profético do Senhor Jesus no Monte das Oliveiras, Ele predisse como será a situação dos judeus no período imediatamente anterior à Sua volta.
• Falsos profetas e falsos cristos, como são chamados em Mateus 24.5,23,26, representam um perigo para Israel. A Igreja enfrenta outros perigos, pois deve preocupar-se mais com falsos mestres, falsos apóstolos e falsos evangelistas e em discernir os espíritos (2 Co 11.13; 2 Pe 2.1; Gl 1.6-9). Filhos de Deus renascidos pelo Espírito Santo certamente não vão sucumbir às seduções de falsos cristos e cair nesses enganos.
• O “abominável da desolação” (Mt 24.15) diz respeito claramente à terra judaica, ao templo judaico e aos sacrifícios judeus. Já o profeta Daniel falou a respeito. E Daniel não falava da Igreja, mas de “teu povo… e de tua santa cidade” (Dn 9.24).
• A frase: “então, os que estiverem na Judéia fujam para os montes” (Mt 24.16), é bem clara. Trata-se nitidamente da terra de Israel. Pois no Novo Testamento a Igreja de Jesus nunca é conclamada a fugir para os montes.
• Igualmente o texto que fala do sábado diz respeito aos judeus, aos seus costumes e suas leis (v. 20).
• Também a parábola da figueira (v. 32) é uma representação simbólica da nação judaica. Do mesmo modo, a expressão “esta geração” (v. 43) aplica-se a Israel.

2. A que época o Senhor se refere em Mateus 24?
A resposta à pergunta anterior nos conduz automaticamente ao tempo em que esses fatos acontecerão. Trata-se da época em que Deus começará a agir novamente com Seu povo Israel de maneira coletiva, levando o povo da Aliança ao seu destino final (v. 3), que é a vinda do seu Messias e o estabelecimento de Seu reino. O centro de todas as profecias de Mateus 24 e 25 é ocupado pelos sete anos que são os últimos da 70ª semana de Daniel (Dn 9.24-27). Devemos estar cientes de que esse período é a consumação do século, o encerramento de uma era, e não apenas o transcorrer de um tempo. O sinal do fim dos tempos é a última semana, a 70ª semana de Daniel.
Todos os sinais que o Senhor Jesus predisse em Mateus 24, que conduzirão à Sua vinda visível (v. 30), têm seus paralelos no Apocalipse, nos capítulos de 6 a 19. Mas nessa ocasião a Igreja de Jesus já terá sido arrebatada, guardada da “hora da provação” (Ap 3.10).

Os últimos sete anos – divididos em três etapas (Mt 24.4-28)
1. Os versículos 4-8 descrevem, segundo meu entendimento, a primeira metade da 70ª semana de Daniel. O versículo 8 diz claramente:”porém tudo isto é o princípio das dores”.As dores não dizem respeito a uma época qualquer, elas definem especificamente o tempo da Tribulação, comparado na Bíblia “às dores de parto de uma mulher grávida” (1 Ts 5.3; veja também Jr 30.5-7). O princípio das dores são os primeiros três anos e meio da 70ª semana. Assim como existem etapas iniciais e finais nas dores que antecedem um parto, também esses últimos 7 anos dividem-se em duas etapas de três anos e meio. Há um paralelismo e uma concordância quase literal entre Mateus 24.4-8 e Apocalipse 6, onde o Senhor abre os selos de juízo:
• Falsos cristos (Mt 24.5) – primeiro selo: um falso cristo (Ap 6.1-2).
• Guerras (Mt 24.6-7) – segundo selo: a paz será tirada da terra (Ap 6.3-4).
• Fomes (Mt 24.7) – terceiro selo: um cavaleiro montado em um cavalo preto com uma balança em suas mãos (Ap 6.5-6).
• Terremotos (Mt 24.7), epidemias (Lc 21.11) – quarto selo: um cavaleiro montado em um cavalo amarelo, chamado “Morte” (Ap 6.7-8).

2. Nos versículos 9-28 temos a descrição da Grande Tribulação, ou seja, a segunda metade (três anos e meio) da 70ª semana de Daniel.
• Nesse tempo muitos morrerão como mártires (Mt 24.9) – quinto selo (Ap 6.9-11).
• Coisas espantosas e grandes sinais no céu anunciam a chegada do grande dia da ira do Senhor (Lc 21.11) – sexto selo (Ap 6.12-17).
• Em Israel, muitos trairão uns aos outros (Mt 24.10, veja também Mt 10.21).
• O engano e a impiedade se alastrarão, o amor esfriará, significando que muitos apostatarão de sua fé (Mt 24.11-12, veja 2 Ts 2.10-11). Quem perseverar até o fim verá a volta do Senhor e entrará no Milênio (Mt 24.13).
• O Evangelho do Reino será pregado por todo o mundo (v. 14). Ele não deve ser confundido com o Evangelho da graça, anunciado atualmente. O Evangelho do Reino é a mensagem que será transmitida no tempo da Tribulação pelo remanescente e pelos 144.000 selados do povo de Israel, chamando a atenção para a volta de Jesus, que então virá para estabelecer Seu Reino (compare Apocalipse 7 com Mateus 10.16-23).

3. Mateus 24.15 refere-se à metade da 70ª semana de Daniel, o começo dos últimos três anos e meio de tribulação.
A “abominação desoladora” não teve seu cumprimento na destruição do templo em 70 d.C., pois refere-se à afirmação de Daniel, que aponta claramente para o fim dos tempos (Dn 12.1,4,7,9,11).
• A profecia da “abominação desoladora” de Daniel teve um pré-cumprimento aproximadamente em 150 a.C., na pessoa de Antíoco Epifânio. Daniel 11.31 fala a respeito.
• A “abominação desoladora” cumpriu-se parcialmente em 70 d.C. através dos romanos, que destruíram o templo.
• Mas “abominável da desolação” de que Jesus fala em Mateus 24.15 será estabelecido apenas pelo anticristo, vindo a ter seu cumprimento pleno e definitivo na metade dos últimos sete anos (como profetizado em Daniel 12). Essa profecia de Daniel é claramente para o tempo do fim (vv. 4,9), referindo-se a um tempo de tão grande angústia como jamais houve antes (v. 1), que durará “um tempo, dois tempos e metade de um tempo”. É dessa Grande Tribulação, desse período de imenso sofrimento e angústia, que Jesus fala em Mateus 24.21 (veja Jr 30.7).
Nos versículos a seguir, de 16 a 28, o Senhor Jesus explica como o remanescente dos judeus deve comportar-se durante a Grande Tribulação:
• Eles devem fugir (veja Ap 12.6).
• Esses dias serão abreviados para três anos e meio, para que os escolhidos sejam salvos.
• Falsos cristos e falsos profetas farão milagres e sinais (veja Ap 13.13-14).
• Mas então, finalmente, diante dos olhos de todos, o Senhor virá “como o relâmpago sai do oriente e se mostra até no ocidente”. Esses dias da ira de Deus (Lc 21.22), ou melhor, esses dias da ira de Deus e do Cordeiro (Ap 6.17), são descritos assim: “Onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão os abutres” (Mt 24.28). O “cadáver” representa o judaísmo apóstata, afastado de Deus, e o sistema mundial sob a regência do anticristo, no qual reinará a morte e o “hades”. Os “abutres” simbolizam o juízo de Deus.
Como já foi mencionado, não creio que em Mateus 24.15 o Senhor Jesus esteja referindo-se à destruição do templo em 70 d.C., mas penso que Ele está falando do tempo do fim. Ele menciona a destruição do templo e de Jerusalém em Lucas 21, fazendo então a ligação com os tempos finais. Aliás, este é o sentido dos quatro Evangelhos: apresentar ênfases diferenciadas dos relatos. Os Evangelhos tratam da profecia como também nós devemos fazê-lo, manejando bem a palavra da verdade (2 Tm 2.15).
Em Lucas 21.20 e 24 o Senhor diz:”Quando, porém, virdes Jerusalém sitiada de exércitos, sabei que está próxima a sua devastação. Cairão ao fio da espada e serão levados cativos para todas as nações; e, até que os tempos dos gentios se completem, Jerusalém será pisada por eles.” Isso cumpriu-se em 70 d.C.
Mas Mateus 24 menciona algo que não aparece no Evangelho de Lucas, pois cumprir-se-á apenas nos tempos do fim: “o abominável da desolação” (v. 15).
No Evangelho de Lucas, que trata primeiro da destruição do templo em 70 d.C., está escrito:”…haverá grande aflição na terra” (Lc 21.23) (não está escrito: “grande tribulação”). Mas em Mateus 24, que em primeira linha fala dos tempos do fim, lemos sobre uma “grande tribulação” “como desde o princípio do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais” (v. 21). A expressão “grande tribulação” diferencia nitidamente a angústia de 70 d.C. da “grande tribulação” no final dos tempos.

3. Qual é a mensagem desse texto bíblico para nós hoje?
Essa passagem tem forte significado para os crentes de hoje, pois sabemos que os impressionantes acontecimentos da Grande Tribulação lançam suas sombras diante de si e que, por essa razão, o arrebatamento da Igreja deve estar muito próximo.
• Nosso mundo está muito inquieto. Há conflitos em muitos países e torna-se mais e mais evidente a possibilidade de guerras devastadoras em futuro próximo. Mais de 400.000 cientistas estão atualmente ocupados em melhorar sistemas bélicos ou em desenvolver novos armamentos.
• Grande parte da humanidade passa fome.
• Terremotos, tempestades, inundações e doenças imprevisíveis, além de outros fenômenos e catástrofes da natureza, aumentam dramaticamente em progressão geométrica, como as dores de parto da que está para dar à luz.
• Grande parte dos cristãos é perseguida. Muitos chegam a falar de uma “escalada” nas perseguições nos últimos anos.
• Também a sedução e o engano através de falsas religiões é comparável a uma avalanche. O clamor pelo “homem forte” torna-se mais audível. Qualquer coisa passa a ser anunciada como “deus” ou “salvador” – e as pessoas agarram-se ansiosas a essas ofertas enganosas. Ao mesmo tempo acontece uma apostasia nunca vista, um crescente afastamento da Bíblia e do Deus vivo.
As dores da Grande Tribulação anunciarão a vinda do Filho do Homem. Não nos encontramos diante do fim do mundo, mas nos aproximamos do fim de nossa era (Mt 24.3). O Filho de Deus não nos trará o fim, mas um novo começo. Jesus Cristo não é apenas a esperança para o futuro do mundo, mas a esperança para toda pessoa, para cada um que invocar Seu Nome!
Por: Norbert Lieth

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